terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Balanço de ano com Drummond


Um ano termina, outro começa, vêm os balanços do tempo que foi, e as promessas para o que virá.
Vem, também, a vontade de relaxar e comprazer-se com pequenos e grandes lazeres, que nada têm a ver com sisudez e comprometimento. Para mim, é oportunidade para as delícias da leitura descompromissada. Nela reencontrei-me, desta vez, com a grande fonte inspiradora que é Carlos Drummond de Andrade.
Daí, a ideia de unir o útil ao agradável, e extrair do poeta algum momento de reflexão sobre passado, presente e futuro. Afinal, quem melhor que ele, para puxar o fio da vida, permitindo a despedida do vivido e a recepção do que se irá viver?
Quer vir comigo, leitor/a? Aceite meu convite e seja meu companheiro/a, num passeio poético por algumas joias do universo de Drummond. Que elas sirvam de impulso para voos, na imaginação e nas emoções, para trás e adiante no tempo, para dentro e fora de nós. 

Para rever o passado
Qual o resíduo de nós próprios que deixamos para a experiência universal do ano que finda? “Um pouco, não muito” – pode tornar-se o detalhe que marca toda uma vida... 
Resíduo

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
– vazio – de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato. 
[ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1963.]

Para encarar o presente
A insegurança – nacional e universal – em que vivemos torna bastante atual o poema que Drummond publicou em 1945. O leitor é defrontado com a palavra medo, inúmeras vezes repetida, como uma sirene a alertar para o perigo da fixação do terror. No entanto, tal como o eu poético sugere, que sejamos conduzidos a caminhos mais abrangentes que aquele da angústia paralisante, pois: “O medo, com sua física, / tanto produz: carcereiros, / edifícios, escritores, / este poema; outras vidas.” 
O medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo. 
[ANDRADE, Carlos Drummond de. In A Rosa do Povo.
Disponível em http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond20.htm.]


Projetando o futuro
Diz o pensador Zygmunt Bauman: “Quer eu admita, quer não, sou o guardião do meu irmão, porque o bem-estar do meu irmão depende do que eu faço ou do que eu me abstenho de fazer.” Há muito o que fazer ainda, se estamos verdadeiramente vivos. Qual será nosso projeto transformador de consciências? Qual a canção de esperança que iremos preparar para nosso futuro comum? 
Canção amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças. 
[ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1963.]


Pretexto e pré-texto

Leitor, leitora, Drummond é um bom pretexto para pensamentos fundos... E pode servir, também, como pré-texto para nossas próprias escritas. Que tal escrever seu balanço poético pessoal? Esse é outro convite que faço, acrescentando: se escrever, quer dividi-lo comigo?
Termino com meu abraço e a Canção Amiga, na voz de Milton Nascimento.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Um conto para o Natal



Moacyr Scliar sempre soube dar um ar de modernidade a seus temas, sem, no entanto, abandonar o lirismo e o olhar sensível. Bem por isso, lembrei-me dele, ao aproximarem-se as festividades tradicionais de dezembro.
Trago a vocês, leitores e leitoras, um conto do escritor. O texto não deixa de apresentar uma sutil crítica ao espírito mercantilista do ser humano; é isso que me faz voltar a lê-lo, e sempre com uma pontinha de sorriso e de emoção.
Recebam-no como um presente e um agradecimento, por me distinguirem com seus preciosos tempo e leitura. Espero que apreciem minha escolha.
  
A noite em que os hotéis estavam cheios
O casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam cansados da viagem; ela, grávida, não se sentia bem. Foram procurar um lugar onde passar a noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa serviria, desde que não fosse muito caro.
Não seria fácil, como eles logo descobriram. No primeiro hotel o gerente, homem de maus modos, foi logo dizendo que não havia lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou com desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O homem disse que não tinha, na pressa da viagem esquecera os documentos.
– E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não tem documentos? – disse o encarregado. – Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!
O viajante não disse nada. Tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante. No terceiro hotel também não havia vaga. No quarto – que era mais uma modesta hospedaria – havia, mas o dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava lotado. Contudo, para não ficar mal, resolveu dar uma desculpa:
– O senhor vê, se o governo nos desse incentivos, como dão para os grandes hotéis, eu já teria feito uma reforma aqui. Poderia até receber delegações estrangeiras. Mas até hoje não consegui nada. Se eu conhecesse alguém influente... O senhor não conhece ninguém nas altas esferas?
O viajante hesitou, depois disse que sim, que talvez conhecesse alguém nas altas esferas.
– Pois então – disse o dono da hospedaria – fale para esse seu conhecido da minha hospedaria. Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um quarto de primeira classe, com banho e tudo.
O viajante agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse mais urgente: precisava de um quarto para aquela noite. Foi adiante.
No hotel seguinte, quase tiveram êxito. O gerente estava esperando um casal de conhecidos artistas, que viajavam incógnitos. Quando os viajantes apareceram, pensou que fossem os hóspedes que aguardava e disse que sim, que o quarto já estava pronto. Ainda fez um elogio.
– O disfarce está muito bom.
– Que disfarce? – perguntou o viajante.
– Essas roupas velhas que vocês estão usando, disse o gerente.
– Isso não é disfarce, disse o homem, são as roupas que nós temos.
O gerente aí percebeu o engano:
– Sinto muito – desculpou-se. – Eu pensei que tinha um quarto vago, mas parece que já foi ocupado.
O casal foi adiante. No hotel seguinte, também não havia vaga, e o gerente era metido a engraçado. Ali perto havia uma manjedoura, disse, por que não se hospedavam lá? Não seria muito confortável, mas em compensação não pagariam diária. Para surpresa dele, o viajante achou a ideia boa, e até agradeceu. Saíram.
Não demorou muito, apareceram os três Reis Magos, perguntando por um casal de forasteiros. E foi aí que o gerente começou a achar que talvez tivesse perdido os hóspedes mais importantes já chegados a Belém de Nazaré.
[SCLIAR, Moacyr. Em: Contos para um Natal brasileiro - antologia. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: IBASE, 1996.]


Até breve...
Que as festas que aí vêm lhes tragam alegrias e paz.
Um abraço.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ainda a Cecília de olhar viajante


Cecília Meireles - Aleatório


Em matéria anterior (21/11/2015), apontei, no percurso poético de Cecília Meireles, índices do modo de observação que a escritora atribui ao viajante. Este, em contraposição ao turista, “... pode estabelecer uma comunicação sentimental com os objetos e os lugares [...].”¹
Cecília acrescenta, falando de sua experiência viageira: Tudo quanto aprendi até hoje – se é que tenho aprendido – representa uma silenciosa conversa entre os meus olhos e os vários assuntos que se colocam diante deles, ou diante dos quais eles se colocam. Nessa atmosfera de confidência, tudo me parece penetrável e inteligível. Mais tarde, em silêncio maior, a conversa continua, e é simplesmente um profundo monólogo. O que resulta de tudo isso, é, para mim, a aprendizagem.”
Ao viajante, a aprendizagem é aprendizagem do outro: daquele desconhecido que ele observa com interesse (e não apenas de passagem), a ponto de ralentar o passo, trocar um olhar mais profundo, um sorriso, quem sabe algumas palavras, antes de se afastar.
É aprender sobre a pessoa / comunidade / povo, em seu cenário particular e necessário. É apreender o ambiente físico e humano em seu todo, nos meandros e pequenos detalhes, vislumbrados ou mesmo intuídos.
Essa modalidade de “olhar-aprendiz” é a que parece guiar Cecília, na crônica “Se eu fosse um pintor... Nela, a descrição do espaço não se resume ao mero “avistar, constatar e assinalar em mapa” do turista, mas é fruto de ações empreendidas por uma contemplação viajante: investigar e dialogar, comparar e relacionar, misturar experiências, indagar possibilidades.
Deixo-a registrada em seguida.
¹ Esta e as demais citações em vermelho: MIRELES, Cecília. Crônicas de Viagens. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.


Fernanda Correia Dias - A Floresta da Tijuca
Se eu fosse um pintor...²

Se eu fosse pintor começaria a delinear este primeiro plano de trepadeiras entrelaçadas com pequenos jasmins e grandes campânulas roxas, por onde flutua uma borboleta cor de marfim, com um pouco de ouro nas pontas das asas.
Mas logo depois, entre o primeiro plano e a casa fechada, há pombos de cintilante alvura, e pássaros azuis tão rápidos e certeiros que seria impossível deixar de fixá-los, para dar alegria aos olhos dos que jamais viram ou verão.
Mas o quintal da casa abandonada ostenta uma delicada mangueira, ainda com moles folhas cor de bronze sobre a cerrada fronde sombria, uma delicada mangueira repleta de pequenos frutos, de um verde tenro, que se destacam do verde-escuro como se estivessem ali apenas para tornar a árvore um ornamento vivo, entre os muros brancos, os pisos vermelhos, o jogo das escadas e dos telhados em redor.
E que faria eu, pintor, dos inúmeros pardais que pousam nesses muros e nesses telhados, e aí conversam, namoram-se, amam-se, e dizem adeus, cada um com seu destino, entre a floresta e os jardins, o vento e a névoa?
Mas por detrás estão as velhas casas, pequenas e tortas, pintadas de cores vivas, como desenhos infantis, com seus varais carregados de toalhas de mesa, saias floridas, panos vermelhos e amarelos, combinados harmoniosamente pela lavadeira que ali os colocou. Se eu fosse pintor, como poderia perder esse arranjo, tão simples e natural, e ao mesmo tempo de tão admirável efeito?
Mas, depois disso, aparecem várias fachadas, que se vão sobrepondo umas às outras, dispostas entre palmeiras e arbustos vários, pela encosta de morro. Aparecem mesmo dois ou três castelos, azuis e brancos, e um deles tem até, na ponta da torre, um galo de metal verde. Eu, pintor, como deixaria de pintar tão graciosos motivos?
Sinto, porém, que tudo isso por onde vão meus olhos, ao subirem do vale à montanha, possui uma riqueza invisível, que a distância abafa e desfaz: por detrás dessas paredes, desses muros, dentro dessas casas pobres e desses castelinhos de brinquedo, há criaturas que falam, discutem, entendem-se e não se entendem, amam, odeiam, desejam, acordam todos os dias com mil perguntas e não sei se chegam à noite com alguma resposta.
Se eu fosse pintor, gostaria de pintar esse último plano, esse último recesso da paisagem. Mas houve jamais algum pintor que pudesse fixar esse móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano?
²MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. Crônicas. São Paulo: Editora Moderna Ltda, 1985.
  
Pós-leitura
A crônica, eminentemente descritiva, caminha exibindo planos, os quais orientam o olhar do leitor. A deslocação do foco (de baixo para cima, do próximo ao distante, de fora para dentro) abarca todos os cantos: flores e trepadeiras, árvores e pássaros, muros e quintais, casas, castelinhos, morros... Nada escapa à visão atenta desse viajante aspirante a pintor, que sempre descobre mais um detalhe.

Interessante notar: é a conjunção “mas”, que, repetidamente, introduz o novo plano do olhar (parágrafos 2, 3, 5, 6), sem, no entanto, expressar o convencional sentido adversativo – e sim, aditivo. É como se o enunciador, contemplando determinado ponto de interesse, descobrisse outro e ainda outro e outro, e os indicasse a um companheiro de jornada: o leitor, que segue junto nessa apreciação.
As interrogações são, de igual modo, marcas de diálogo com o leitor, chamado a refletir junto sobre detalhes do cenário, que vem povoado das muitas cores de flores, borboletas, pássaros, casas, panos, e repleto de sugestões de sons, movimentos (das aves, do vento), perfumes (das flores) e sabores (das mangas).
A adjetivação intensa dá conta do olhar objetivo, que percebe a disposição espacial, as formas e cores, mas privilegia em grau elevado a avaliação subjetiva, o encantamento diante do que é visto. Tudo é suave e afetuoso, desde as pequenas flores, passando pelos pombos e pardais, até os desenhos das casas e a roupa nos varais.
A observação, que começa no espaço exterior, segue, depois, para o interior – “por detrás dessas paredes, desses muros, dentro dessas casas”. Notem-se os conectivos que marcam claramente a mudança: porém e mas – (este, agora, com real valor adversativo). 

É o momento do texto em que a descrição chega à alma / eixo do lugar, já indiciado desde o início (pelas plantas, construções, roupas), ou seja, ao ser (“pensamento”) humano, ao “móvel oceano” que dá vida ao conjunto todo. 


Compreende-se o rumo: a ideia norteadora do olhar viajante, que a crônica estende ao pintor, é o debruçar-se em direção ao outro. Repetindo, é a
silenciosa conversa entre os meus olhos e os vários assuntos que se colocam diante deles, ou diante dos quais eles se colocam.” O olhar viajante de Cecília é, assim, revelador de seu  enorme apreço pelo semelhante:
Tenho um vício terrível. Meu vício é gostar de gente. Você acha que isso tem cura? Tenho tal amor pela criatura humana, em profundidade, que deve ser doença.”³
Ah!, se nossos vícios fossem todos assim...
Um abraço.
³ Entrevista a Pedro Bloch, em maio de 1964. Disponível em:
http://www.revistabula.com/496-a-ultima-entrevista-de-cecilia-meireles/