sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sobre linguagem e... peixes.

Marcos Bagno: Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. [...] ser peixe é ser na água. 
Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético.
Ser humano é ser linguagem.


[Sobre peixes e linguagem, in Antunes, Irandé. Análise de Textos. São Paulo: Parábola Ed.]

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